PROJETO ATELIER LIA MENNA BARRETO - Junho de 2009





O artista plástico MARCOS SARI faz um trabalho no atelier da artista plástica Lia Menna Barreto












INTERVENÇÃO EM ESCUTA

Convite:

Lia me convida para fazer um trabalho na sua casa-atelier em Guaíba, RS. O convite se baseia na sua vontade de criar um diálogo com artistas que se disponham a fazer este deslocamento físico e mental com o objetivo de intervir em seu local de trabalho e de moradia. Contou para o convite o conhecimento que Lia tem da minha produção, bem como minha ligação com o pessoal do Atelier Subterrânea que está envolvido neste projeto.

Proposição:

Decidi por uma intervenção que partisse de minha poética pessoal, mas que estivesse em consonância com o contexto: convite (pra quem?) / lugar (onde?) / condições de trabalho (espaço físico, materiais).

Numa primeira ida ao lugar, ao elaborar um plano de ação, perguntei a Lia se poderia usar as tintas que ela mesma usara para pintar o atelier e a casa. Chamara-me a atenção a variação de cores e a própria escolha das mesmas que transmitiam uma sensação agradável, como algo que sentimos em um domingo de sol sem muita preocupação. A própria situação envolvendo o deslocamento para um lugar mais arejado que minha realidade urbana trouxe leveza para o trabalho.

Ficou combinado também que usaria pedaços de madeira que ela recolheria no atelier do Mauro, conforme solicitei.

Resultado:

  1. Pequena peça de madeira para a escada do Atelier-Lia. Colocada junto a um dos degraus da parte superior. Pintura com verde claro em parte da peça.
  2. Peça de mesa. Cores usadas: verde claro, bege fraco, branco e cor da madeira. Peça móvel - pode ser colocada em diferentes locais da residência ou ateliês.
  3. Peça em madeira de parede para a sala de estar. O formato da peça conversa com a forma da parede em que foi colocada. Cores: verde claro, rosa claro e cor da madeira.
  4. Pintura de pequena faixa seguindo patamar baixo da entrada da casa, na área externa. Esta passagem cromática vem do lilás existente para um bege rosado produzido por mim com as cores recebidas.

Impressões:

No domingo em que realizei as peças o dia estava límpido. Senti-me feliz por poder realizar um trabalho artístico que pudesse ser ao mesmo tempo leve e com uma carga de significado importante para mim (artista-propositor) e para a Lia (artista-que-convida). Lembro-me com carinho do almoço com lentilhas e farofa no jardim da casa. O ar era leve e o céu tinha uma cor azul muito bonita.

Marcos trindade Sari, Porto alegre / Guaíba – Junho de 2009.














O artista Marcos Sari vem me visitar, quer conhecer meu atelier, minha casa, meu jardim. Vai fazer um trabalho aqui a meu convite. Chega e registra imagens de todas as cores que vê, são suas impressões e é com elas que ele vai trabalhar no fim de semana seguinte. Já sai com uma idéia, quer usar as mesmas cores que foram utilizadas nas paredes e pintar pequenos pedaços de madeira com elas, vai colocá-los em diálogo com a arquitetura do lugar.

PROJETO ATELIER LIA MENNA BARRETO - Junho de 2009





A artista plástica ADAUANY ZIMOVSKI interfere no atelier da artista plástica Lia Menna Barreto














http://www.youtube.com/watch?v=ONCdkFLyHcI

http://www.youtube.com/watch?v=u6NNWnH3lAo

http://www.youtube.com/watch?v=8TSPq-ifxCs


http://www.youtube.com/watch?v=OhnIF8setqk

http://www.youtube.com/watch?v=DTkWIYpngdg


A primeira artista a trabalhar foi Adauany Zimovski, ela veio conhecer o lugar e eu pedi à ela um pequeno projeto p saber o que ela tinha em mente, quanto tempo iria levar, etc. Ela enviou por e-mail uma idéia e marcamos o dia p o início do trabalho. A Dau trabalhou na parte externa do atelier, ela escolheu trabalhar com um quadrado branco que eu havia pintado para fotografar. Esse quadrado fica no meio de uma parede amarela que é a frente do atelier. Ela desenhou nesta parede a sombra das folhas de uma goiabeira. A sombra das folhas foi registrada com grafite e depois com tinta branca.
Essa ação fez com que o quadrado branco perdesse seus limites.
Depois a tinta branca foi deslocada do foco da parede pela Dau e um outro quadrado branco foi criado no caminho da entrada da casa, em cima das britas que cobrem o chão. O local de maior circulação foi escolhido para que o quadrado fosse, aos poucos, desaparecendo com tempo.



Projeto Atelier

Em março de 2009 fiz um trabalho com a ajuda dos artistas do subterrânea atelier em Porto Alegre, atelier coletivo mantido por 6 artistas plásticos. E fui convidada à mostrar este trabalho na parte da frente do atelier, onde eles mantêm uma pequena galeria com paredes brancas e móveis que permite expor trabalhos de outros artistas enquanto trabalham na parte de trás.
Durante a montagem do trabalho optei por não usar o espaço destinado para exposições, e apoiada por 2 dos artistas do atelier afastamos suas paredes para dentro do espaço. O trabalho, em forma de cortina, foi instalado entre a àrea de trabalho e uma parede de vidro que dá para a rua.
No decorrer da exposição houve um embate entre mim e os artistas que trabalham no atelier. Com o afastamento das paredes brancas para a parte interna, eles ficaram expostos pela transparência do vidro que separa o atelier da rua e pela transparência do meu trabalho, e não conseguiam trabalhar como antes.
Para trabalhar e se adaptar à nova situação, criaram novos espaços com as paredes brancas, elas eram movimentadas dentro da àrea de trabalho conforme a necessidade de cada artista. À partir dessa experiência convidei alguns artistas p fazer um trabalho na minha casa-atelier.

exposição "Pele de Boneca" - Suterrânea Atelier - Fotos de Fábio Del Re - Porto Alegre - Março 2009





A exposição "Pele de Boneca" abriu o ano de 2009 no Atelier Subterrânea, em Porto Alegre. A mostra comemora 25 anos de produção da artista Lia Menna Barreto tendo como suporte bonecas. Ao recortar as cabeças de bonecas e transformá-las em tiras, a artista planifica esses volumes, dando a ver o interior e o exterior dessas peles. Ao suspendê-las, forma-se uma malha texturada, em que o espectador é convidado a ingressar.


Lilian Maus, março de 2009