O artista plástico MARCOS SARI faz um trabalho no atelier da artista plástica Lia Menna Barreto









INTERVENÇÃO EM ESCUTA
Convite:
Lia me convida para fazer um trabalho na sua casa-atelier em Guaíba, RS. O convite se baseia na sua vontade de criar um diálogo com artistas que se disponham a fazer este deslocamento físico e mental com o objetivo de intervir em seu local de trabalho e de moradia. Contou para o convite o conhecimento que Lia tem da minha produção, bem como minha ligação com o pessoal do Atelier Subterrânea que está envolvido neste projeto.
Proposição:
Decidi por uma intervenção que partisse de minha poética pessoal, mas que estivesse em consonância com o contexto: convite (pra quem?) / lugar (onde?) / condições de trabalho (espaço físico, materiais).
Numa primeira ida ao lugar, ao elaborar um plano de ação, perguntei a Lia se poderia usar as tintas que ela mesma usara para pintar o atelier e a casa. Chamara-me a atenção a variação de cores e a própria escolha das mesmas que transmitiam uma sensação agradável, como algo que sentimos em um domingo de sol sem muita preocupação. A própria situação envolvendo o deslocamento para um lugar mais arejado que minha realidade urbana trouxe leveza para o trabalho.
Ficou combinado também que usaria pedaços de madeira que ela recolheria no atelier do Mauro, conforme solicitei.
Resultado:
- Pequena peça de madeira para a escada do Atelier-Lia. Colocada junto a um dos degraus da parte superior. Pintura com verde claro em parte da peça.
- Peça de mesa. Cores usadas: verde claro, bege fraco, branco e cor da madeira. Peça móvel - pode ser colocada em diferentes locais da residência ou ateliês.
- Peça em madeira de parede para a sala de estar. O formato da peça conversa com a forma da parede em que foi colocada. Cores: verde claro, rosa claro e cor da madeira.
- Pintura de pequena faixa seguindo patamar baixo da entrada da casa, na área externa. Esta passagem cromática vem do lilás existente para um bege rosado produzido por mim com as cores recebidas.
Impressões:
No domingo em que realizei as peças o dia estava límpido. Senti-me feliz por poder realizar um trabalho artístico que pudesse ser ao mesmo tempo leve e com uma carga de significado importante para mim (artista-propositor) e para a Lia (artista-que-convida). Lembro-me com carinho do almoço com lentilhas e farofa no jardim da casa. O ar era leve e o céu tinha uma cor azul muito bonita.
Marcos trindade Sari, Porto alegre / Guaíba – Junho de 2009.




O artista Marcos Sari vem me visitar, quer conhecer meu atelier, minha casa, meu jardim. Vai fazer um trabalho aqui a meu convite. Chega e registra imagens de todas as cores que vê, são suas impressões e é com elas que ele vai trabalhar no fim de semana seguinte. Já sai com uma idéia, quer usar as mesmas cores que foram utilizadas nas paredes e pintar pequenos pedaços de madeira com elas, vai colocá-los em diálogo com a arquitetura do lugar.








